Canais no Telegram espalham fake news sobre urnas antes do 2º turno
Levantamento aponta 418 publicações questionando a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Em Votuporanga, a poucos dias do segundo turno das eleições, um levantamento da Agência Pública identificou 418 publicações em 60 canais do Telegram que questionam a segurança das urnas eletrônicas. Entre os canais, 58 compartilham mensagens de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A maior parte das publicações foi registrada entre maio e outubro de 2026, com um pico nas semanas que antecederam e sucederam o primeiro turno. Um exemplo de desinformação é a mensagem que circulou em dez canais durante o primeiro turno, alegando que as urnas eletrônicas apresentaram erros que travaram a contagem dos votos, informação já desmentida pela Justiça Eleitoral.
A antropóloga Letícia Cesarino destaca que o Telegram é uma plataforma que não possui uma moderação efetiva, dificultando o combate à desinformação. Em setembro de 2026, o Telegram apresentou um plano ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater conteúdos falsos, mas, segundo o levantamento, apenas uma das 418 publicações continha um aviso de que poderia ser falsa.
Desinformação e suas origens
Das 418 publicações, 176 eram idênticas a pelo menos outra, indicando uma origem comum. A análise revelou três eixos discursivos principais: falhas técnicas nas urnas, interferência externa e memes. Além disso, um vídeo do ex-delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, que já havia sido desmentido, voltou a circular, reforçando a narrativa de fraude nas eleições.
Apesar das medidas do Telegram, a desinformação continua a se espalhar, com canais reproduzindo conteúdo sem verificar a veracidade. As acusações de manipulação das urnas, mesmo após a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, revelam um clima de desconfiança e contestação em relação ao sistema eleitoral.
Para a pesquisadora, a resistência em aceitar uma possível derrota de Flávio Bolsonaro pode resultar em novos confrontos, destacando a importância do Telegram como um espaço onde o negacionismo e teorias da conspiração sobre as urnas têm se fortalecido desde 2021.
Fonte: Giro19
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