B3 aciona circuit breaker após queda significativa do Ibovespa
Ibovespa despenca 13,88% e pressiona a economia, segundo especialistas.
Na manhã desta segunda-feira, 26, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker após uma queda acentuada do Ibovespa, que fechou com desvalorização de 13,88%, marcando 176.608,23 pontos, o menor nível desde agosto. Esse movimento ocorreu logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV-EAESP, alerta que os efeitos dessa queda podem impactar a atividade econômica se a turbulência persistir, afetando preços, crédito e decisões empresariais. Ela destaca que uma família sem ações pode sentir os efeitos nas compras do mês e na dificuldade de conseguir emprego, já que a inflação pode superar a renda.
A especialista ressalta que os impactos não são uniformes. Empresas exportadoras com receitas em dólar podem se beneficiar da desvalorização do real, dependendo de seus custos e dívidas. Assim, não se deve presumir que uma queda na bolsa cause a mesma perda para toda a população.
Funcionamento do circuit breaker
O circuit breaker é um procedimento que interrompe temporariamente as negociações na B3 em momentos de forte queda. A suspensão ocorre quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, com a pausa durando 30 minutos. Se a queda atingir 15%, a interrupção se estende por uma hora. Caso a queda chegue a 20%, uma nova pausa pode ser determinada.
Após o retorno das negociações, o Ibovespa chegou a registrar uma queda de 16,8%, e às 13h40, ainda apresentava perda de 15,7%. Alexandre Chaia, professor de Economia do Insper, explica que o mercado financeiro reflete as expectativas sobre a economia, e a percepção negativa em relação à política fiscal do governo tem gerado incertezas entre os investidores.
Chaia observa que, embora a turbulência de um único dia não cause impacto imediato na economia real, ela pode atrasar o crescimento econômico, resultando em perda de empregos e investimentos. Ele enfatiza que, a longo prazo, essas flutuações podem ter consequências significativas.
Além disso, o dólar também começou a subir, alcançando R$ 5,60, com alta de 12% logo cedo, embora depois tenha arrefecido para R$ 5,42. Yoshinaga explica que a desvalorização do real pode afetar os preços dos produtos importados em dias ou semanas, mas em outros setores, os efeitos podem demorar meses para se manifestar.
Para estabilizar os mercados, Claudia acredita que a redução da incerteza é fundamental, e os investidores estarão atentos às ações do governo. Chaia acrescenta que medidas fiscais mais robustas são necessárias para reverter as expectativas negativas, e a escolha do novo ministro da Fazenda será crucial para essa estratégia.
Fonte: Diário da Região
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