Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária e impeachment
Santiago Peña deixou o cargo após colapso do Ueno Bank e pressão política crescente.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira causada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país.
A decisão ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, que perdeu apoio dentro do próprio Partido Colorado. Em pronunciamento nas redes sociais, Peña justificou sua saída como uma medida para preservar a estabilidade política e as instituições democráticas, além de pedir desculpas à população afetada pela crise bancária.
O Banco Central do Paraguai (BCP) havia iniciado, em 3 de novembro, o procedimento de resolução do Ueno Bank após constatar problemas no índice de solvência da instituição. O colapso do banco deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos seus recursos, gerando protestos e questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro.
Impeachment e crise política
A crise bancária se tornou um problema político significativo, uma vez que Peña tinha laços empresariais com o grupo que controla o Ueno Bank. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses e de omissão em relação aos problemas financeiros da instituição. As investigações estão em andamento e envolvem possíveis falhas na documentação e nos empréstimos concedidos.
A situação se agravou quando o ex-presidente Horacio Cartes retirou seu apoio ao governo e começou a defender a saída de Peña. O processo de impeachment ganhou adesão de parlamentares do governo, e 35 deputados apresentaram uma acusação formal, convocando uma sessão extraordinária para discutir o assunto.
A renúncia de Peña abre espaço para que o vice-presidente Pedro Alliana assuma a presidência, de acordo com a Constituição paraguaia. Alliana deverá completar o mandato até 2028, caso a renúncia seja formalizada.
Impacto sobre os clientes do Ueno Bank
A crise do Ueno Bank gerou preocupação entre os correntistas, que agora aguardam a recuperação de seus valores. O governo anunciou medidas para acelerar o ressarcimento e garantir a proteção dos depósitos. A Procuradoria paraguaia já determinou a prisão de dirigentes ligados à instituição, com oito executivos detidos e 27 pessoas acusadas.
Peña afirmou que aqueles responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça, sem exceções, e pediu que os setores políticos priorizem os interesses dos poupadores. A renúncia de Peña representa um momento crítico na política paraguaia, em meio a crescentes questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e a proteção dos recursos de milhões de correntistas.
Fonte: Gazeta de Rio Preto
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