Câmara analisa projeto que cria política de apoio a crianças neurodivergentes
Proposta estabelece fundo nacional para financiar ações de diagnóstico e inclusão escolar para crianças e adolescentes com neurodiversidade.
O Projeto de Lei 3267/26, que está em análise na Câmara dos Deputados, propõe a criação da Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes Neurodivergentes. A proposta também institui um fundo nacional para financiar ações relacionadas ao diagnóstico, tratamento, atendimento multiprofissional e inclusão escolar e social desse público.
A política prioriza o atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O texto define como neurodivergentes aqueles com funcionamento neurológico, cognitivo, comportamental ou de aprendizagem diferente do padrão majoritário, incluindo condições como autismo, TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia e altas habilidades.
Entre os objetivos da proposta estão a ampliação do acesso ao diagnóstico e às terapias, a identificação precoce de sinais de neurodiversidade e o fortalecimento da rede pública de atendimento. Além disso, o projeto prevê apoio psicossocial às famílias e cuidadores, formação de profissionais e a oferta de tecnologias assistivas e materiais pedagógicos adaptados.
Fundo Nacional de Apoio
O projeto estabelece o Fundo Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes Neurodivergentes (Funadinca) para financiar centros de atendimento multiprofissional, mutirões de diagnóstico e terapias, além da capacitação de profissionais e adaptação de ambientes escolares e de saúde. As fontes de recursos incluem o orçamento da União, emendas parlamentares, doações e convênios.
Conforme a proposta, pelo menos 60% dos recursos anuais devem ser destinados a ações voltadas prioritariamente a crianças e adolescentes de famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo. A proposta assegura que a falta de inscrição no CadÚnico não impedirá o atendimento emergencial.
O autor do projeto, deputado Josivaldo JP (União-MA), destacou que o orçamento será direcionado majoritariamente a famílias que não podem arcar com consultas, laudos e terapias.
Acompanhamento e transparência
Os recursos poderão ser transferidos a estados, municípios e entidades privadas sem fins lucrativos que atuem na proteção desse público. Os planos de trabalho deverão incluir metas e indicadores de resultados, com um comitê nacional de acompanhamento composto por representantes do governo e da sociedade civil. O Poder Executivo será responsável por publicar relatórios semestrais sobre a arrecadação e os resultados alcançados.
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado por várias comissões da Câmara. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Fonte: Giro19
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