Advogado preso em Ribeirão Preto é investigado por fraude em ações de idosos
Guilherme Menna Barreto Gentil é acusado de enganar clientes na venda de créditos de processos judiciais.
A operação do Gaeco que investiga fraudes em ações judiciais levou à prisão do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil em Ribeirão Preto, na terça-feira (20). A investigação se concentra na venda de créditos de processos, que pode ter prejudicado idosos ao não repassar os valores devidos.
De acordo com as denúncias, a venda dos direitos de receber valores de ações judiciais é legal, mas a forma como isso foi feito por Guilherme e outros advogados está sendo questionada. O advogado foi detido em flagrante após tentar destruir provas, jogando um notebook e um celular pela janela durante a operação policial. A Justiça posteriormente decretou sua prisão preventiva.
A defesa de Guilherme nega as acusações, afirmando que ele não cometeu fraudes. No entanto, a investigação aponta que muitos clientes não sabiam que haviam vendido seus créditos e que os valores foram vendidos por menos de 20% do total. Em alguns casos, a empresa que comprou os créditos pertencia ao pai do advogado.
Detalhes da investigação
Os indícios levantados pela investigação incluem a falta de conhecimento dos clientes sobre a venda de seus créditos e a destinação dos valores recebidos, que teriam ido para a conta pessoal do advogado. O advogado criminalista Leonardo Pontes destaca que a venda só é válida se o cliente estiver ciente do que está fazendo.
Os crimes investigados incluem estelionato, apropriação indébita e fraude eletrônica, com penas que podem aumentar em casos onde as vítimas são idosos. O Gaeco apura se mais de R$ 2 milhões foram sacados em processos ligados a Guilherme.
A venda de créditos é um procedimento previsto no Código Civil, permitindo que quem ganha uma ação judicial venda o direito a receber o valor antes do pagamento. Contudo, a prática deve ser conduzida de forma transparente e com a concordância clara do vendedor.
Clientes que se sentirem lesados podem solicitar a anulação da venda na Justiça, especialmente se não estavam cientes do valor ou se foram enganados. O prazo para isso é de quatro anos a partir da data da venda.
A defesa de Guilherme afirmou que está avaliando as medidas a serem tomadas após ter acesso ao processo. Ele nega irregularidades e atribui as queixas dos clientes à empresa Desenrola, que também está sendo investigada.
Fonte: G1 SP Interior
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