Advocacia criminal em debate acirrado na reta final da eleição
Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre defesa de acusados em debate.
Em um debate realizado no domingo (18) na TV Band, o presidente Lula questionou o senador Flávio Bolsonaro sobre sua atuação como advogado de um policial acusado pela morte de uma menina de cinco anos em Niterói. A discussão acirrou o tema da advocacia criminal em meio à campanha eleitoral.
No debate, Lula repetiu uma declaração feita em julho em um podcast, onde afirmou que “criminalista defende bandido”. Em resposta, Flávio Bolsonaro acusou Lula de defender mais os criminosos do que as vítimas, evidenciando um embate entre os dois candidatos.
Um advogado com quase 28 anos de experiência na área criminal defende que o papel do advogado é essencial, independentemente das acusações. Ele ressalta que defender alguém não significa aprovar suas ações, mas garantir que a acusação seja provada e que as regras do processo sejam respeitadas.
A Constituição brasileira assegura a todo acusado o direito de se defender com um advogado. O especialista alerta que um processo sem defesa é comparável a um linchamento oficial. Ele cita o caso da Escola Base, em São Paulo, onde os donos foram injustamente acusados de abusos e tiveram suas vidas destruídas antes de qualquer julgamento.
O advogado também menciona a figura histórica de Sobral Pinto, que defendeu um líder comunista nos anos 1930, enfatizando que o direito à defesa transcende ideologias políticas. Segundo ele, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, ou pessoas próximas a eles, já precisaram de defesa legal em algum momento de suas vidas.
O texto conclui que quem critica a advocacia criminal como defesa de bandidos, muitas vezes, ignora que o acusado pode muito bem ser uma pessoa comum, alguém que também pode enfrentar acusações injustas. O autor defende que a Constituição deve ser respeitada para todos, incluindo aqueles que não são bem vistos pela sociedade.
Eder Ricardo Fior, advogado criminalista e autor do livro “Luz nas Grades: bandido bom é bandido recuperado”, destaca a importância do direito à defesa em uma sociedade justa.
Fonte: Gazeta de Rio Preto
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