Levantamento revela 92 casos de CACs ligados a facções criminosas no Brasil
Instituto Sou da Paz aponta que São Paulo é o estado com mais registros entre 2016 e 2026.
Um estudo do Instituto Sou da Paz revelou 92 casos de envolvimento de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) com organizações criminosas no Brasil, entre 2016 e outubro de 2026. Os dados foram acessados pelo g1 e mostram uma preocupação crescente com a conexão entre a posse legal de armas e o crime organizado.
Os casos analisados envolvem facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e milícias, sendo que 21 estados do país apresentaram registros. São Paulo lidera a lista com 18 casos, seguido pelo Espírito Santo, com 11, e Rio de Janeiro, com 10.
O estudo, que inclui processos judiciais, boletins de ocorrência e reportagens, identificou dois padrões principais: o primeiro refere-se a indivíduos que compram armas legalmente para desviar para facções. O segundo diz respeito a criminosos que obtêm registros de forma fraudulenta para adquirir armamento.
Casos notórios de envolvimento com o crime
Entre os casos destacados está Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, apontado como líder do Comando Vermelho no interior de São Paulo. Ele está foragido e possui registros de armas emitidos pelo Exército.
No entanto, a abrangência do problema não se limita a SP. Em Minas Gerais, um empresário foi investigado por usar documentos falsos para obter registro de CAC e abastecer o PCC com armamentos. Na Paraíba, a Operação Fake Shooter prendeu integrantes de uma facção que se passavam por CACs para comprar armas.
Bruno Langeani, consultor do Instituto Sou da Paz, destacou que o levantamento reflete apenas casos que se tornaram públicos, sugerindo que o número real de incidentes pode ser ainda maior. Ele afirmou que a fiscalização, que anteriormente estava sob a responsabilidade do Exército, agora é conduzida pela Polícia Federal, que também atua nas investigações de crimes relacionados ao tráfico de armas e comércio ilegal.
O estudo também revela que, após a revisão das normas de aquisição de armas em 2023, houve uma redução nos limites de compra, além de um aumento nas exigências para os CACs. A análise dos dados mostra que a diversidade de grupos envolvidos se expandiu, com a inclusão de milícias, grupos de extermínio e quadrilhas especializadas.
Fonte: G1 SP Interior
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