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Indígenas denunciam aumento da violência em Mato Grosso do Sul

Incêndio em residência e ameaças a líderes marcam a escalada de conflitos após eleições.

Fonte: Região Noroeste ·

Comunidades indígenas denunciam aumento da violência e de ameaças após o período eleitoral

Lideranças e entidades indígenas de Mato Grosso do Sul denunciam um aumento significativo da violência e ameaças de morte contra comunidades da região, especialmente após o fim do processo eleitoral. Um dos incidentes mais alarmantes foi o incêndio que destruiu a casa de Ñandesy Roberta, uma rezadeira de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que o fogo consumiu não apenas a residência, mas também objetos sagrados e instrumentos utilizados em rituais dos povos Kaiowá e Guarani, configurando uma grave violação dos direitos humanos e da liberdade religiosa.

Conforme um balanço da Apib, o estado registrou mais de 30 episódios de violência nos últimos tempos, incluindo intimidações, agressões e atropelamentos com mortes. A situação em Tacuru se agravou com a divulgação de áudios atribuídos a servidores municipais, que continham discursos de ódio e ameaças. Em um dos áudios, um funcionário público sugere a contaminação da água da população com veneno, o que levou a prefeitura a afastá-lo e abrir um processo administrativo.

Reação das autoridades

Em resposta ao aumento das ocorrências, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) solicitaram apoio da Polícia Federal para investigar as denúncias no território sul-mato-grossense. O governo federal também anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial, em colaboração com o Ministério da Justiça, para centralizar as notificações de agressões contra os povos indígenas.

Além disso, o Ministério Público Federal (MPF-MS) notificou a Prefeitura de Tacuru, exigindo esclarecimentos sobre a conduta dos servidores envolvidos nas ameaças, com um prazo de 48 horas para resposta. A entidade está investigando as denúncias para garantir a segurança das comunidades e desmentir informações falsas relacionadas a conflitos na região.

Fonte: Região Noroeste

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