Entidades se manifestam contra listas de boicote por divergências políticas
Organizações alertam para os riscos de discriminação e retaliações econômicas após as eleições de 2026.
A circulação de listas que visam boicotar empresas e profissionais devido a suas preferências políticas tem gerado reações em várias entidades representativas. O alerta vem de organizações empresariais, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que destacam os riscos jurídicos e democráticos dessas iniciativas.
Nos últimos dias, relatos de discriminação e retaliações aumentaram, especialmente no setor de bares e restaurantes. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) foi uma das primeiras a se manifestar oficialmente, repudiando as listas que associam estabelecimentos a posicionamentos políticos, incentivando consumidores a não frequentá-los. A entidade ressaltou a importância de respeitar a diversidade de opiniões políticas entre empresários.
Abrasel alertou que campanhas para prejudicar economicamente empresas podem resultar em responsabilização civil e judicial, afetando não apenas os proprietários, mas também os funcionários que dependem dessas atividades. Em nota, a associação afirmou que a divulgação dessas listas pode ser considerada um ato ilícito e que a escolha do consumidor deve ser livre, sem discriminação por convicções políticas.
Reação da OAB e do MPT
A Ordem dos Advogados do Brasil também se manifestou, repudiando listas que expõem cidadãos e empresas. A entidade defendeu que a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias são fundamentais para a democracia, e que a discriminação pode levar a consequências legais.
O Ministério Público do Trabalho identificou que algumas plataformas digitais estão sendo usadas para incentivar empregadores a vigiá-los e demitir funcionários com base em suas preferências eleitorais. O MPT entrou com uma ação civil pública contra a Meta, solicitando a retirada dessas publicações. Nos três dias após o segundo turno das eleições, o MPT recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral.
Francisco Carlos Teixeira, professor de História, destacou que a prática de organizar listas de boicote é comum em regimes autoritários, comparando-a a práticas do passado, como as perseguições durante a Alemanha nazista. A ex-deputada Manuela d’Ávila também fez uma comparação histórica, afirmando que a identificação pública de empresas para promover boicotes é uma prática autoritária que deve ser combatida.
Fonte: Gazeta de Rio Preto
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