A intolerância pode afastar eleitores indecisos nas eleições
Comportamentos hostis entre apoiadores de candidatos dificultam convencimento de indecisos e ausentes nas urnas.
Em um cenário de intensa polarização nas eleições, a intolerância de eleitores que já escolheram um lado pode estar afastando aqueles que ainda estão indecisos. A análise é de Henrique Casseb, advogado e analista político, que destaca a importância de conquistar votos de quem não compareceu às urnas ou optou por anular o voto.
Casseb aponta que eleitores indecisos e aqueles que não participaram do primeiro turno ainda poderiam ser convencidos, mas muitos apoiadores de candidatos não perceberam seu papel nesse processo. Enquanto buscavam informações, os indecisos eram frequentemente rotulados como “isentões” ou até mesmo chamados de “burros” por aqueles que já tinham tomado uma decisão.
Além disso, a prática de excluir amigos nas redes sociais por opiniões divergentes se tornou comum, demonstrando uma intolerância que passou a ser vista como uma virtude. O rompimento de relações pessoais, segundo Casseb, foi encarado como uma demonstração de consciência política.
A contradição da polarização
Os apoiadores, em vez de se concentrarem em conquistar novos votos, muitas vezes estavam mais preocupados em reafirmar suas próprias convicções e demonstrar superioridade moral. Essa postura, que confundiu engajamento com convencimento, pode ter afastado eleitores que ainda estavam em busca de informações e argumentos.
O analista ressalta que cada eleitor também desempenha um papel crucial como cabo eleitoral de seu candidato. A influência que um amigo, colega ou familiar pode exercer na decisão de voto é muito maior do que a de uma propaganda eleitoral. Contudo, muitos decidiram continuar a falar apenas para aqueles que já concordavam com suas ideias.
Embora nenhum resultado eleitoral possa ser atribuído exclusivamente ao comportamento dos eleitores, Casseb alerta que a postura intolerante pode ter um impacto significativo sobre aqueles que ainda não escolheram um lado. Para ele, a verdadeira arte da política reside em conquistar o respeito e, possivelmente, o voto de quem pensa diferente.
Em vez de buscar culpados pelos resultados eleitorais, a reflexão proposta é sobre quantos votos cada eleitor conseguiu conquistar por suas atitudes e quantos afastou com sua intolerância.
Fonte: Gazeta de Rio Preto
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