Aumento de casos de racismo em Rio Preto chega a 52% em dois anos
Entre janeiro e setembro de 2026, foram registrados 96 boletins sobre racismo na cidade, mostrando um crescimento alarmante das denúncias.
Rio Preto apresentou um aumento de 52,4% nos registros de racismo em boletins de ocorrência entre janeiro e setembro de 2026, totalizando 96 casos, contra 63 no mesmo período de 2024.
Os dados mostram que, em 2025, foram 90 ocorrências nos primeiros nove meses do ano. O mês de fevereiro concentrou o maior número de registros, com 20 casos, seguido por janeiro (17) e março (13), totalizando 50 ocorrências, ou 52,1% do total.
Entre os casos deste ano, 41 se referem a ofensas por motivo de raça, cor, etnia ou nacionalidade, enquanto outros dez envolvem discriminação. O promotor de vendas Regis Aielo, de 24 anos, é uma das vítimas, relatando que foi abordado em um hipermercado e solicitado a ter o cabelo revistado, o que interpretou como uma suspeita de furto baseada na sua aparência.
Regis registrou um boletim de ocorrência e buscou apoio de organizações do movimento negro, o que gerou protestos em frente ao estabelecimento. O empresário Carlos Henrique Ferreira também sofreu ofensas raciais em um evento e, após buscar justiça, conseguiu decisões favoráveis nas esferas cível e criminal.
O delegado seccional de Rio Preto, Everton Contelli, destacou que a Polícia Civil tem intensificado a capacitação dos policiais para lidar com casos de racismo e fortalecer a parceria com o Departamento de Igualdade Racial. Ele acredita que mudanças na legislação podem ter incentivado a população a denunciar mais os casos de discriminação.
Serviço de apoio às vítimas
O Departamento de Promoção da Igualdade Racial atendeu 103 vítimas de racismo entre janeiro e agosto de 2026, com serviços de acolhimento e orientação jurídica disponíveis na Casa SP Afro, no Jardim Santa Lúcia. A casa oferece suporte psicossocial e encaminhamentos para serviços de assistência social e saúde.
A presidente do Conselho Afro, Claudionora Elis Tobias, ressaltou que muitos casos de discriminação ainda não são registrados, e que o reconhecimento e a busca por direitos são fundamentais para enfrentar o problema. O conselho continua promovendo atividades até 21 de novembro, mês da consciência negra, para debater questões de igualdade racial.
Segundo o sociólogo Danilo de Souza Morais, a discriminação racial muitas vezes não é percebida por quem a pratica, e a formação contínua de profissionais em diversas áreas é vital para mudar essa realidade. Ele destaca a importância de um trabalho conjunto da sociedade no combate ao racismo, além do apoio das vítimas para que se sintam encorajadas a denunciar.
Fonte: Diário da Região
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