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Reflexões de um professor sobre o silêncio dos alunos na sala de aula

Professor Alberto Cesário destaca a importância de ouvir o que não é dito pelos alunos.

Fonte: Diário de Votuporanga ·

O que o aluno não fala que a escola precisa escutar!

No ambiente escolar, um aluno silencioso chama a atenção do professor Alberto Martins Cesário, que reflete sobre a dinâmica da sala de aula.

Durante uma aula, o professor notou que um estudante na terceira carteira, ao lado da janela, não interagia com a turma. Em vez de levantar a mão ou participar ativamente, ele desenhava pequenas casas em seu caderno, todas com janelas, mas sem portas. Essa observação levou Cesário a questionar a ideia de que o bom aluno é aquele que participa e se destaca.

O docente enfatiza que a realidade nas escolas públicas muitas vezes desafia essas noções. As aulas são interrompidas por crises emocionais, falta de professores e diversas demandas administrativas. Assim, o planejamento idealizado nem sempre se concretiza no dia a dia, onde a complexidade das relações e das vivências dos alunos deve ser considerada.

Durante um momento de reflexão, Cesário decidiu alterar a atividade planejada e pediu aos alunos que escrevessem sobre algo que desejavam que os adultos compreendessem sem precisar explicar. O aluno silencioso, que antes não se manifestava, entregou um pequeno texto que revelou sua solidão: “Professor, eu não gosto de falar porque, quando falo em casa, ninguém escuta, na escola, pelo menos, posso ficar quieto sem brigar.”

O valor do silêncio na educação

Essas palavras impactaram o professor, que percebeu que o silêncio de alguns alunos pode esconder timidez, medo ou dor. Ele argumenta que nem toda participação ativa é sinônimo de aprendizado e que é fundamental prestar atenção aos silêncios que rodeiam a sala de aula.

Cesário conclui que o verdadeiro planejamento educacional não é apenas o que se escreve, mas também o que se sente e se percebe em relação aos alunos. O desafio é reconhecer e valorizar esses momentos não planejados, que muitas vezes revelam as necessidades mais profundas dos estudantes.

No dia seguinte, o professor encontrou uma nova ilustração no caderno do aluno, desta vez com uma porta. Sem questionar, apenas sorriu, entendendo que a educação vai além do conteúdo e deve incluir a escuta atenta das vozes e silêncios dos alunos.

Fonte: Diário de Votuporanga

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